Sistema que reutiliza águas pluviais evita gastos desnecessários com água tratada
Reportagem RAFAEL MATHEUS
Edição BRUNO BAGGIO

Reaproveitamento
O reaproveitamento da água das chuvas pode gerar uma economia para o morador curitibano de mais de 30%. Em algumas instalações industriais, que utilizam grande quantidade de água não potável, esse número pode ser ainda maior: 70%. Desde 2003, vigora na capital paranaense a lei municipal 10.785, que institui medidas para orientar os usuários sobre a utilização consciente da água nas residências e obriga às novas construções a possuírem um sistema de reaproveitamento.

O sistema de reaproveitamento de água das chuvas consiste na captação nos telhados e armazenamento em uma cisterna. Além de gerar economia em termos financeiros, também é uma vantagem em termos ambientais, já que reduz consideravelmente a utilização dos recursos hídricos fluviais. Nos meses de outubro a março, quando o volume de chuvas tende a ser maior na capital paranaense, essa ação contribui ainda para a redução do risco de alagamentos.

O Purar, programa de conservação e uso racional de água nas edificações criado com a lei municipal 10.785, regulamenta que os projetos de engenharia devem prever alguns dispositivos economizadores de água, como vasos sanitários de volume reduzido de descarga, torneiras dotadas de arejadores, além de hidrômetro para medição individual da vazão de água no caso dos condomínios. Além dessas medidas e da captação de água pluvial, a lei determina o uso de águas “servidas” ou “cinzas”, que são aquelas já utilizadas nos chuveiros, pias de banheiros, tanques e máquinas de lavar roupa. Em vez de ir direto para a rede de esgoto, essa água é destinada a um reservatório específico para ser reaproveitada na descarga dos vasos sanitários. A prefeitura de Curitiba só concede alvará de construção se esses requisitos forem respeitados.

O professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da UFPR, Miguel Mansur Aisse, explica que esse sistema utiliza água menos nobre para fins menos nobres. A água potável, que passa por um tratamento complexo, é considerada de alto padrão. Não haveria necessidade de utilizá-la em todos os processos cotidianos. “O cidadão consome de 150 a 200 litros de água por dia. Quanto dessa água realmente precisa ser nobre? Três litros para beber, dez litros para trabalhar na cozinha, talvez para tomar banho. Por outro lado quantos litros são usados para fins não nobres, principalmente no vaso sanitário?”, questiona Aisse. Mas, segundo o professor, somente essa substituição de fontes não é suficiente, pois as pessoas continuariam gastando de forma excessiva. É necessária uma ação paralela de minimização dos gastos com água.

Pelo fato da captação ser feita nos telhados das residências, essa água pode ficar suja e contaminada. Por isso é necessário haver um filtro para que os resíduos sólidos sejam retidos. Ela deve ser utilizada para fins não potáveis, como descarga de vasos sanitários, irrigação de jardins e lavagem de carros, roupas e calçadas. O bancário Rodrigo Cereda, que se mudou há um ano para uma casa que possui esse sistema, recomenda o uso para outras pessoas, pela economia que gera e por exigir pouca manutenção. Apenas o custo de implantação é considerado alto. Hoje em dia está em torno de seis mil reais. Cereda afirma que se é uma lei e a instalação é obrigatória nas residências, a Prefeitura deveria subsidiar esse valor.

A Irrigarden, empresa que trabalha com o reaproveitamento de água da chuva em Curitiba desde que a lei foi implantada há oito anos, instala entre 15 e 30 sistemas por mês. A procura é grande atualmente, segundo Joana Schimitt, que trabalha na área comercial da empresa. “Primeiro é preciso ver as condições do terreno. O mais comum é instalarmos em construções, pois no caso de se fazerem adaptações em residências já construídas o custo é bem maior e as pessoas geralmente não querem mexer em mais nada”, afirma. Para uso interno, a tubulação que levará a água para o vaso sanitário ou para a máquina de lavar roupa deverá ser separada da rede hidráulica normal. Quando a água é usada fora da residência, Joana também recomenda que as torneiras sejam identificadas e de uso restrito, com um mecanismo que não permita que qualquer pessoa possa abrir e fechar, para não correrem o risco de consumi-la.

O professor Aisse também tem orientado muitos alunos do curso de Engenharia Civil em trabalhos que incorporam esses conceitos em edificações. “A Universidade se preparou e está treinando e preparando os alunos do curso para essa realidade, ajudando a sociedade a conduzir seus projetos, que são novos ainda”, garante. Para ele, os prédios públicos têm que dar o exemplo, como é o caso do novo edifício do Instituto Federal do Paraná (IFPR). Ele lembra que grandes empreendimentos voltados ao esporte, como prédios olímpicos, também estão trabalhando com esses sistemas.


Fonte: http://www.jornalcomunicacao.ufpr.br/node/10375 

 


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